Archive for junho \12\America/Sao_Paulo 2010

Eu, Sr. Tumnus e o Guarda-Roupa

Submersa em meus pensamentos enquanto voltava pra casa, desejei que meu guarda-roupa fosse uma passagem secreta, pra onde eu pudesse correr assim que chegasse. Um lugar quente onde eu teria tudo e veria a todos sempre que abrisse a porta do meio, o melhor esconderijo do mundo, onde eu pudesse escolher quais aventuras viver, o que defender e por quem lutar ou morrer.

Estou percorrendo um longo caminho pra chegar até aqui sem minhas fantasias e sem meus amigos imaginários.
Todos os dias, passando mais tempo no mundo real do que na Terra do Nunca – talvez morreria se tivesse que escolher entre morar lá ou em Hogwarts.
Queria abrir a porta do meio, e de acordo com a cor escolhida por uma “geringonça” qualquer, conhecer todos os mundos, ver os amigos que eu quero visitar, encontrar o Cálcifer e ameaçar apagá-lo se eu assoprar ou se jogar água, perguntar a Al e ao Ed como eles estão agora…
Eu ia voar com o Falcon, para pensar sempre em coisas boas, pois assim eu nunca afundaria. E até queria que o Leão Leonino* falasse realmente sozinho, e que ele me abraçasse pra dormir igual eu abraço ele.

Passar as tardes ouvindo as mais belas e incríveis histórias do meu melhor amigo Sr. Tumnus, queria conversar com ele agora… E eu teria um amigo fauno, que sabe preparar um ótimo chocolate quente.

Chego em casa.
Abro a porta do meio do meu velho guarda-roupa.
Nada acontece. Com um certo alívio encontro minhas relíquias, meus melhores presentes do mundo, a prova da existência de tudo, escolho agora a hora de dormir…
Pois sempre quando tenho que acordar, é sempre quando tenho que deixá-los.

*Este é o Leão Leonino:

Repeat All

Já faz tempo que me pego pensando no que parece minha vida agora,
ou no que está parecendo.
Na tentativa de não pensar, coloquei meu velho álbum do Pearl Jam e comecei a ouvir Better Man, adoro essa música.
E abrindo a janela do Media Player tive a seguinte constatação:
Minha vida está com o botão “repeat all” emperrado.

Talvez você nem tenha notado, mas foi no mesmo dia que no ano passado, só não foi o mesmo filme e não terminou da mesma forma.
Os convites para visitar os mesmos lugares chegam o tempo todo, e confesso que estar naqueles lugares novamente seria uma prova e tanto para o buraco que carrego bem no meio do peito.
Hematomas – foi a primeira vez que comecei a gostar deles.

“She dreams in color, she dreams in red…”

Seguro continuar ouvir minha música predileta de hoje, e sonhar com meu próximo buraco negro, pode até ser forte suficiente para que esse botão desemperre
Não gosto de sentir como se eu tivesse atrapalhado, embaralhado ou terminado algo que teve seu percorrer natural em outra época, ou outra dimensão. Estraguei o continuum espaço-tempo.
Eu nunca fui bem na aula de física.

“She dreams in color, she dreams in red…Can’t find a better man…”