Eu, Sr. Tumnus e o Guarda-Roupa
Submersa em meus pensamentos enquanto voltava pra casa, desejei que meu guarda-roupa fosse uma passagem secreta, pra onde eu pudesse correr assim que chegasse. Um lugar quente onde eu teria tudo e veria a todos sempre que abrisse a porta do meio, o melhor esconderijo do mundo, onde eu pudesse escolher quais aventuras viver, o que defender e por quem lutar ou morrer.
Estou percorrendo um longo caminho pra chegar até aqui sem minhas fantasias e sem meus amigos imaginários.
Todos os dias, passando mais tempo no mundo real do que na Terra do Nunca – talvez morreria se tivesse que escolher entre morar lá ou em Hogwarts.
Queria abrir a porta do meio, e de acordo com a cor escolhida por uma “geringonça” qualquer, conhecer todos os
mundos, ver os amigos que eu quero visitar, encontrar o Cálcifer e ameaçar apagá-lo se eu assoprar ou se jogar água, perguntar a Al e ao Ed como eles estão agora…
Eu ia voar com o Falcon, para pensar sempre em coisas boas, pois assim eu nunca afundaria. E até queria que o Leão Leonino* falasse realmente sozinho, e que ele me abraçasse pra dormir igual eu abraço ele.
Passar as tardes ouvindo as mais belas e incríveis histórias do meu melhor amigo Sr. Tumnus, queria conversar com ele agora… E eu teria um amigo fauno, que sabe preparar um ótimo chocolate quente.
Chego em casa.
Abro a porta do meio do meu velho guarda-roupa.
Nada acontece. Com um certo alívio encontro minhas relíquias, meus melhores presentes do mundo, a prova da existência de tudo, escolho agora a hora de dormir…
Pois sempre quando tenho que acordar, é sempre quando tenho que deixá-los.
*Este é o Leão Leonino:
